O Office 2010 é o meu pastor e a nuvem não é o céu

2 Comentários

O Office 2010 é o meu pastor e a nuvem não é o céu. Por que diabos ninguém fala mal de Cloud?

Nossa visão de Cloud

Nossa visão de Cloud é um "pouquinho" mais crítica...

Sou um Heavy-User de Office 2010. Mesmo. Eu diria que passo mais da metade do meu dia usando ferramentas da Microsoft, especialmente o SQL Server e o Excel, além do Outlook, para e-mail. E desenvolvemos em ASP, ainda por cima.

É bom lembrar que a MicroSafe é uma Revenda Microsoft, antes de continuar este texto. Leia tudo a seguir com a devida crítica.

Depois de muito, muito, mas muito tempo mesmo constrangido em pagar mais de R$ 600 em um pacote do Office Standard, eu comecei a pensar que só fiz isso uma vez, há mais de 10 anos (Sei que a atual versão Home & Business custa menos de R$ 400, mas para mim tem que ser a Standard, por conta das diferenças entre elas. Já falamos sobre isso antes). Depois, foram apenas upgrades por uma fração do preço. Mas vá lá que eu tenha gasto mais de R$ 1.500,00 em todas as versões de Office que adquiri até hoje.

Muito bem. Como disse, mais da metade do dia eu passo usando estas ferramentas. Elas me permitem construir e arquitetar minhas idéias, organizá-las de diversas maneiras, e até mesmo redigir estas mal-traçadas linhas com um dicionário/corretor ortográfico que, para um uso casual como o meu, finalmente chegou ao ponto de dispensar outras ferramentas específicas. Na verdade, o conjunto de ferramentas Microsoft que possuo me libera de ter que adquirir várias outras, inclusive antivírus.

Mas o importante mesmo é o que ganho com isso tudo. Ganho tempo, porque as ferramentas são rápidas e eficientes. Sei que as pessoas normalmente não gostam de elogiar a Microsoft, mas só quem usa Excel sabe a delícia que é mudar de cenário tantas vezes quanto se quiser ao simples pressionar de uma tecla, e não ser limitado por qualquer regra pré-escrita de sistema de gestão ao determinar estes cenários. O céu (e seu conhecimento de scripts ou da ferramenta) é o limite.

E tempo é dinheiro. De fato, todo esse tempo investido nestas ferramentas me permitiu organizar minhas idéias, projetos, bancos de dados, enfim, atitudes geradoras de negócios, que se eu fosse colocá-las na ponta do lápis, já me deram, em retorno, centenas de milhares de vezes o que investi em comprá-las.

E agora a Microsoft “quer” que eu troque toda esta produtividade por uma ferramenta similar, na nuvem.

Bem, isso eu já tinha tentado. Eu não conheço um usuário que leve o Google Docs a sério por exemplo. Para armazenar documentos, quebrar um galho, tudo bem. Deixar as planilhas da empresa ali? Naaahh… Por que eu faria isso com a solução da Microsoft? Por que eu abdicaria da sensacional interface do Office 2010 — torçam o nariz se quiserem, mas não adianta, até no Mac, o Office é a ferramenta de escritório mais usada –, com toda sua velocidade de resposta, para usar um similar muito mais lento, por melhor que seja? Custo?

Mas o custo na nuvem é eterno! Todos alugam este serviço, ninguém vende! Então, ao longo do tempo – que é dinheiro – o custo – que também é dinheiro! – vai ser até maior! “Ah, mas tem Office gratuito, como o Google Docs”.  Honestamente, nada é tão rápido – e tão bom — quanto o Office instalado e rodando local na sua máquina, e ficar usando ferramenta gratuita para substituir a melhor maneira de trabalhar é, literalmente, perda de produtividade. Uma daquelas situações onde o barato realmente sai caro. Quero ver alguém na nuvem carregar uma planilha de 60.000 linhas em menos de 30 segundos, como faço aqui. E depois a “delícia” que deve ser trabalhar com ela. Os Office de graça sofrem da velha máxima da esmola excessiva #prontofalei.

Diminuir custos de suporte? Mas eu não tenho custo de suporte algum para rodar Office. O bicho funciona. E bem.

Desculpem, futurologistas, mas eu acho que todos vocês estão tentando criar dificuldade, para vender facilidade. E melhor ainda – para vocês – uma facilidade que eu vou passar o resto da vida pagando. E quanto as ferramentas gratuitas, sim, sou altamente suspeito para falar, e ao mesmo tempo, posso dizer com toda tranqüilidade que Office nunca deixou de vender por causa de Google Docs ou similares… creio que essa é a maior prova, a de mercado. Todos querem trabalhar com o Office. Por méritos da própria ferramenta.

Aqui falamos apenas do Office em Cloud. Existem boas alternativas em Cloud sim – o Intunes parece uma boa idéia, falo dele em outro post– mas o Office, Google Docs, etc, não me parece uma delas.

Resumindo: Office 2010, eu te amo. Seja mais barato. Pois no fundo, todo mundo quer te comprar. Então assim eu vendo mais e todos ficam felizes. É tudo que peço!

  • A Zinga (que faz jogos para o Facebook) usa bastante o Google Docs para controle de bugs e relatórios de tradução. Sei de empresas razoavelmente grandes que usam para textos e planilhas e as minhas finanças são todas feitas na planilha do Gdocs tem uns 2 anos, mas o meu estilo de controle é muito minimalista e os textos que produzo são só texto mesmo. Se tenho que fazer algo elaborado vou para o Pages.

    Creio que os aplicativos na nuvem tem tudo que praticamente todo mundo precisa nesses aplicativos e inclusive poupam tempo por não ter excesso de recursos para as pessoas se perderem.

    Sempre vi muito isso: o executivo passa 3x mais tempo maquiando seus gráficos, apresentações e textos do que produzindo e verificando o conteúdo.

    Sempre defendi o uso de pacotes Office com recursos mínimos.

    Para os usuários heavy como vc o desktop é absoluto, mas qual é o percentual de mercado que vc representa? 5%? Provavelmente até menos.

    Acho que é por isso que existe toda essa animação com a nuvem.

    • Paulo Santana

      Olá Roney:

      Excelente comentário.

      A Microsoft reporta ter vendido 100 milhões de licenças *apenas do Office 2010* (Sem contar todas as versões que mencionei no post, há 10 anos). Dados aqui:

      http://microsoftoffice2010.us/microsoft-office-2010-sales-figures

      Disto, eu não sei quanto o meu usuário típico (heavy user) representa no mercado, se é apenas 5% ou não. Não tenho estes números e se você os tiver, também gostaria de vê-los. O que posso dizer é que é o Software mais vendido depois do Windows 7, aqui na MicroSafe, isso em termos apenas de Brasil. E por experiência própria, que são heavy-users que decidem as compras.

      Mas mesmo sem dados, tendo a concordar com você — exceto no caso do Excel. Não é a toa que o limite do número de linhas por planilha suportados pelo programa aumenta a cada versão, isso é pedido perene dos usuários. Você pode não conhecer muita gente que manipula mais de 60.000 linhas como eu, mas eu conheço, e a minha é um ábaco perto delas. 🙂 A facilidade e a rapidez de consolidação de dados do Excel, aliados à sua versatilidade e riqueza de funçoes o tornam um excelente laboratório de simulações das mais variadas, de financeiras a científicas.

      Outro fato é que o formato do Excel o tornou um formato ubíquo, e para uso corriqueiro, sim, dá pra usar um Google Docs. Mas é muito mais confortavel fazê-lo no desktop em qualquer situação, e para volumes de dados como os mencionados acima, esta ainda é a opção mais viável.

      Eu de fato não confio cegamente na nuvem para armazenar dados sensíveis. Só armazeno o que não me importo que olhos curiosos vejam. Afinal de contas, o caso do vazamento de infomações do Dropbox é apenas um exemplo famoso (justamente por causa de sua popularidade) que ilustra este risco. Aliás, o slogan “Don’t be Evil” está em apreciação no Senado Estadunidense exatamente hoje (ainda não li se deu algum resultado). E não, não estou espalhando medo à toa, eu realmente acredito nisso assim como NUNCA depositei dinheiro vivo em caixa eletrônico na minha vida até hoje (e lá se vão 42 anos!). Sabe por quê? Porque eu sou humano e desenvolvedor. Ou seja, minha “cabreirice” é muito mais prosaica: Bugs happens!

      Ah, e quanto ao excesso de recursos para as pessoas se perderem, sempre ouvi dizer que ninguém jamais usou mais do que 20% de qualquer aplicativo, inclusive na nuvem. Hoje mesmo em um papo decompromissado no Facebook mostrei como remover aquelas sugestões chatas de amizade, e fiquei impressionado com o quanto de gente que não sabia nem que isso era possível.

      Enfim, falei demais, mas obrigado mesmo pelo comentário!