Black Friday Brasil 2012, a cada ano pior. E teve quem gostou

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Black Friday Brasil, a cada ano pior. E teve quem gostou


Você já viu esse filme antes…

Não ia escrever qualquer comentário sobre a Black Friday Brasil este ano, além do post com as piadinhas que rolaram sobre o assunto.

Mas ao longo desta semana, notei alguns posts em Blogs que estão sendo extremamente condenscendentes e parciais com a edição 2012 da Black Friday no Brasil. É a opinião do autor, claro. Mas gostaria de oferecer argumentos concretos em relação aos tópicos que tenho lido com mais frequência em diversos sites, e optei por compilá-los aqui neste post:

“O Brasileiro é muito ingênuo, acredita mesmo em descontos de 70%”

A Black Friday Brasil é promovida e organizada por uma entidade só, e seu presidente, já fartamente alardeados na mídia. Em que pese a boa ideia de tentar emplacar a Black Friday no Brasil, como já dissemos no ano passado, é ela que anuncia, com todas as letras, que os descontos serão de até 70%, e muitos dos sites participantes dizem o mesmo (mas não todos. A Brastemp/Consul, por exemplo, anunciou 20 a 30%. Mas empresa séria parece não ganhar destaque na mídia).

Portanto, dizer que o Brasileiro não está sendo realista ao esperar por este número largamente alardeado pelo organizador do evento é correto (em termos, veja adiante), mas não citar que essa promessa veio destes mesmos organizadores é também remover toda a culpa deles e colocá-la unica e exclusivamente em quem apenas acreditou no anunciado. Quem trabalha dentro da lei com vendas de produtos de tecnologia no Brasil (que, vamos admitir, é onde a Black Friday Brasil se baseia para alardear suas promoções) sabe que é hipocrisia alardear desconto de mais de 30%, não existe isso, exceto em queima de estoque, onde os produtos são geralmente defasados. Mas o contribuinte talvez não saiba disso. Colocar a culpa exclusivamente nele é condenscendência demais para com todo o alarde feito em torno da promoção, porque quem tem realmente obrigação de saber o que anuncia é justamente quem vende.

“Quem não pesquisou preço antes da Black Friday é que está errado”

A tática acima nada mais é do que um velho golpe aplicado por vários comerciantes (isso desde a era do anúncio impresso), que consiste em atrair o cliente com uma promessa mirabolante, que na verdade, não existe. Colocava-se, por exemplo, o anúncio de um computador incrível, por um preço irrisório. O objetivo é que o cliente venha ou ligue para sua loja, interessado na super oferta, “que só vindo na loja para conferir” e lá dentro, a lábia do vendedor faz o resto para vender outra coisa no lugar. É só dizer que acabou o estoque da oferta, por exemplo, mas aí, você já trouxe o cliente. Isso foi satirizado no filme “You don´t mess with the Zohan” (aqui no Brasil, “Zohan, o Agente Bom de Corte”), na parte da loja “Going Out of Business” (veja no clipe acima, infelizmente, apenas em inglês). Na era online, isso se chama “Black Friday com desconto de até 70%” e o consumidor feliz por levar produtos que estavam com preços até melhores antes do evento. Some-se a isso a já conhecida tática de inflar preços semanas antes para vendê-los com descontos artificiais depois, e foi isso que aconteceu, dado o volume de acesos e os problemas já conhecidos;

“Tinha boas ofertas sim, eu comprei o Galaxy S III por de R$ 1.999 por R$ 1.500, o Halo 4 por R$ 99 (etc)”

O Galaxy S III estava sendo vendido online, nesta quarta, por R$ 1.480,00, pela própria MicroSafe, como parte de nossa Semana Insana – sendo que o preço normal dele revolve em torno de R$ 1.650, não sei de onde tiraram o R$ 1.999 acima. O Halo está barato porque a Microsoft Brasil sempre fez isso com grandes lançamentos aqui no Brasil, como foi na época do Gears of War 3, e nem preciso falar do Windows 8, que todo mundo já sabe. Também é admissível que produtos encalhados (ou até mesmo novos) tenham sofrido alguns descontos para atrair clientes.

Só que contra estes poucos exemplos que um ou outro cita, temos a avalanche de pessoas que foram, sim, levadas a gastar mais por achar que os produtos estavam com desconto. Danem-se elas? Eu me dei bem, o resto foi burro ou ingênuo? E quem é o verdadeiro culpado disso? De novo: é condenscendência demais

Não dê poder a quem só quer te… vender

Tenho certeza que essa não foi a intenção dos autores que li, mas o que os posts acima fazem com a Black Friday Brasil é o mesmo que apoiar o “rouba, mas faz” ou, pior ainda, o “estupra mas não mata”: pegar pequenos aspectos positivos e minimizar atitudes negativas que jamais deveriam ser aceitas, em hipótese alguma. Não podemos nos furtar a isso, não se pode esperar “que um dia emplaque”, porque você, individualmente, “se deu bem”, enquanto assiste a milhares de compatriotas seus sendo enganados, muitos, por pura ingenuidade ou boa-fé, características erroneamente confundidas com ignorância. Será possível que o Brasileiro é mesmo tão individualista assim? “Se foi bom pra mim, os outros é que foram otários, quero mais ano que vem”? Não posso acreditar nisso, ou nunca mais escrevo posts como este.

E na prática, o que se pode fazer?

Sou proprietário de uma empresa de comércio eletrônico, então, você pode estar se perguntando porque escrevo tanto contra a Black Friday Brasil, há 2 anos. É porque sou completamente CONTRA a forma como o evento está sendo conduzido no Brasil desde seu início. O que estão fazendo é desmerecer e prejudicar uma boa ideia, e por tabela, desacreditar o comércio eletrônico no Brasil, que já sofre com problemas de credibilidade o suficiente, para tê-los exacerbados ainda mais com velhas táticas mercantilistas.

Em resumo, eu não sou contra a idea da Black Friday em si, mas sim, contra a maneira com que ela vem sido conduzida.

Finalmente: eu apoio a iniciativa do Vida de Programador. Comprou na Black Friday e se sentiu enganado? DEVOLVA! Faça a carteira de quem lhe enganar tremer, cliente. Até quinta, ainda dá tempo. Confira a ideia:

http://vidadeprogramador.com.br/2012/11/26/black-monday/